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Thursday, June 17, 2010

BEIJAÇO




Mariana Gomes


Estudos de Mídia - UFF

Data: 15 de junho de 2010 20:04

Assunto: [Estudos de Mídia] Ato contra a homofobia em Niterói!

Para: tiago.rubini@ gmail.com



Pessoal,


no mês de maio o Shopping Lido, que se localiza no bairro de Sâo Francisco, em Niterói, fechou um dos seus estabelecimentos com o argumento de que a presença de homossexuais faria mal para os negócios do lugar.



O estabelecimento que fechou foi a Sala Paratodos, onde ocorreram duas festas que eu produzi com amigos. Depois da segunda edição da festa, sentimos que havia algo de estranho no ar, mesmo sem termos notícia direta do que havia acontecido - apesar de o evento ter ocorrido sem problemas, duas pessoas reclamaram com a administração do Shopping pelo fato de um casal gay estar no espaço. A administração, então, pressionou a equipe da Paratodos para que eles evitassem o público homossexual.




Mais tarde, outros eventos com público homossexual aconteceram e a administração do Lido pressionou a Paratodos até que a sala fechasse, mesmo tendo sido concluída por lá uma reforma de R$30.000 há poucas semanas da data do fechamento.




Queremos realizar um Beijaço no Shopping Lido neste próximo sábado, para que a gente possa evidenciar a sua mentalidade e coletar provas da homofobia do lugar. Pra quem não sabe o que é Beijaço, é um ato pacífico de manifestação política em que vários casais homossexuais se beijam dentro ou diante de algum estabelecimento que tenha agido de maneira homofóbica em ocasião anterior.




beijaço contra a homofobia em niterói!



a acontecer no dia 19/6 às 15h,no Shopping Lido:



Avenida Quintino Bocaiúva 325.ônibus em Niterói: 32, 33, 17, 62, vans pra Jurujuba.



ônibus do Rio: 996, 998, 740-D, vans pra Niterói.Fica próximo de Icaraí! Muito simples de chegar.



Por favor amig@s, repassem para tod@s aqueles que puderem participar.



--

Tiago Rubini

(21) 9820-6164

Saturday, June 5, 2010

Paulo Visitis Parliament
Londres, 06 de Junho de 2007



http://www.youtube.com/watch?v=wlwqX5wuSUs




Cambralha
Roye, Março de 2008


http://www.youtube.com/watch?v=sTLAIQwOW70




O BRASIL ACABA EM ALGUM LUGAR POR AQUI

E a lei anti-fumo começou a vigorar. Deus (Jordão, é claro) se ilude achando que em menos de dois meses a lei cai. Eu não me iludo. Acho mesmo que a lei vai pegar, infelizmente pra nós que gostamos de respeitar a liberdade de todos. Volto a dizer que não fumo e que nunca gostei. Só tive que fumar uma única vez num espetáculo de teatro e detestei. Mas de maneira nenhuma vou me colocar como defensor de uma lei que julgo ser arbitrária como essa. Tava no Aurora quarta-feira assistindo o show do Made in Brazil e lá a lei já tava vigorando. Alguns amigos tinham que sair pra fumar. Aí a Tuca chegou pra mim e falou: "Por mais que a gente não concorde com essa lei, é foda ter que admitir que é muito melhor ficar num lugar onde a gente não precise ficar respirando fumaça de cigarro". É claro que a sensação é muito melhor, principalmente pra nós que somos não fumantes. Há muito tempo não me sentia tão bem num espaço fechado como o de um bar de rock. Mas não consigo aceitar a idéia de apoiar essa lei amparado no meu bem estar por exemplo. Simplesmente porque acho que essa é apenas a primeira pedra da avalanche. Vai chegar o dia em que vamos ter que pedir pra ir ao banheiro pra mijar, como a gente costumava fazer quando criança lá na escola. E eu não posso achar isso bom, de maneira nenhuma. Você vai me desculpar, Deus. E eu tenho que dizer que sinto muito, mas você perdeu.










o Socialista Revolucionário



Organizador de greves, agitador permanente, indomável, violento, a sua divisa nesta época é bem Arresto, Carcere, Sfratto (Detenção, Prisão, Expulsão).

Assim vai seguindo, personna non grata das autoridades suiças (bem habituadas entretanto a revolucionários de todos os matizes) de Lausanne para Genéve; de Genéve para Anemasse no lado francês do Uman; depois outra vez na Suiça, em Zurique; depois na Alemanha; depois Berna.

1905 é o regresso a Itália para o serviço militar; e a morte da mãe, que o abala profundamente. A família Mussolini muda-se para Forli, onde Alessandro monta um café-restaurante. Mas a partir de 1908, o professor revolucionário Benito Mussolini é imparável; nesse mesmo ano propõe casamento a Rachele Guidi, e logo em princípio de 1909 parte para Trento para trabalhar nos jornais de Cesare Battisti o diário Il Popolo e os semanários La Vita Trentina e E Avvenire del Lavoratore. Por pouco tempo, já que os austríacos o expulsam, em Setembro, pelas suas acções irredentistas e sindicalistas.

Em Itália de novo, Mussolini instala-se em Forli e junta-se com Rachele; além de secretário da federação local do partido socialista é director-redactor de La Lotta di Classe; ganha 120 liras por mês, das quais entrega 20 ao Partido. Na Itália de então, menos de meio século de unidade nacional, feita por homens e interesses do Norte, com o sufrágio censitário (apenas 3 milhões, em 36 milhões de habitantes são eleitores) o absentismo de consciência dos católicos, consolidam numa forte e reduzida oligarquia burguesa o poder político e económico.

O Partido Socialista é um partido pequeno-burguês, reformista, com os seus líderes como Filipo Thrati, Bonomi, Salvemini, voltados para uma acção mais de enquadramento das massas, que da sua agitação revolucionária.

É neste quadro que Mussolini se revela como líder ... Como escreveu Pietro Nenni «Um homem, Mussolini, pareceu ter o poder de estar ao mesmo tempo em toda a parte atraindo o entusiasmo revolucionário das massas ... Estava sempre disposto a sacrificar a teoria à acção. A sua divisa era desde que pudéssemos combater. E, quando não havia nenhuma possibilidade de combater o Estado, devíamos combatermo-nos mutuamente, porque ele achava que assim fortificávamos os nossos músculos e prepáravamos os nossos espíritos.»

Bem cedo, começam os choques entre o jovem revolucionário radical e maximalista e os dirigentes partidários; em 1910 - ano do nascimento da filha Edda e da morte do pai, Alessandro - Mussolini torna-se notado como orador e polemista; em 1911, toma parte na campanha contra a guerra na Tripolitânia, falando nos comícios em Forli, dirigindo a ocupação da cidade pelos socialistas e, de picareta na mão, arrancando as pedras das ruas para fazer barricadas ... «A sua eloquência lembrava a de Marat» - recorda Nenni que, ao tempo, era dirigente republicano.

A ordem é restabelecida. Mussolini é julgado e condenado a um ano de prisão; Nenni também. «Passávamos - escreve nas suas Memórias - muitas horas juntos, fechados na nossa célula, a jogar às cartas, a ler, a traçar planos de futuro. O nosso autor favorito era Georges Sorel, com o seu desprezo pelo compromisso parlamentar e pelo reformismo. Mussolini não era um fetichista, um fanático marxista. Era um socialista por instinto e por tradição familiar; era, sobretudo, um rebelde ... Prisioneiro modelo, indulgente para os hóspedes habituais da prisão, encontrava desculpas para todos e para tudo e justificava os seus crimes pela injustiça social.»

Na prisão, Mussolini faz traduções, escreve para La Lotta di Classe e cartas a Raquel. E passa atrás das grades o Natal de 1911... (< No Congresso de Regio d' Emilia, em Julho de 1912, Mussolini vai, pela primeira vez, defrontar abertamente a linha oficial do partido ... É um homem jovem, de traços agrestes, com uma barba de dias, os bolsos cheios de jornais, roupas coçadas, sapatos baços ... Defende contra a colaboração de classes, a luta de classes, a dialéctica explorador-explorado, faz a apologia da violência e da luta armada ... E exige a exclusão de Bissolati, de Bonomi, de Cabrini, de Guido Prodrecca ... O• congresso apoia por 12556 votos, «o antipapa do socialismo oficial de Roma e de Milão», Mussolini, que é eleito membro do Comité Executivo ... «A entrada de Benito Mussolini na nova equipa dirigente do Partido Socialista Italiano mostra que este tomou finalmente o bom caminho» afirma Lenine na ocasião.

Assim, como por magia, «este jovem notável, seco, rude, impetuoso, extremamente original», este revolucionário «em que o espírito das barricadas domina a disciplina marxista» torna-se, da noite para o dia, não só a «personalidade mais influente» do Partido Socialista, como, em 1 de Dezembro de 1912, o director do Avanti, orgão do Partido.

Um jornal é, como ensinou Lenine, muito mais que um jornal; é, sobretudo, um organizador colectivo; Mussolini, em três meses, quintuplica de 20 para 100 mil a tiragem do Avanti. Processos, julgamentos, violência ... No ano seguinte funda uma revista: «Utopia»; e escreve no seu editorial:

«As massas, chamadas à busca de um novo reino, têm menos necessidade de conhecer que de acreditar. Do mesmo modo que se pode ser um bom cristão sem compreender a Teologia, pode-se ser um bom socialista sem ter lido todas as grandes obras do socialismo. A revolução socialista é um acto de fé.»
 
 
 
 

Friday, June 4, 2010



“As esculturas de Eliane Duarte são as


mesmas de uma civilização que

trafega entre violência e paixão,

entre grotesco e relativizável,

entre humano e bestial que

há em cada um de nós”



Paulo Reis

Porto, Janeiro de 2003




“É isso que Eliane Duarte faz:


junta pano, cera, pigmento e dá ao todo, enchimento.

Com a Liberdade extrema de quem inventa em cima do vivido.

A dosagem entre memória e invenção...

Ela dá ao sorriso, o gato de alice.

Ela chama de parceira,

sua vivência mais subterrânea”



Chacal, 1999




“A mulher determinou


os momentos capitais do

processo da Arte Brasileira do século XX...

...Na obra de

Eliane Duarte,

a fantasmática requisita uma corporeidade.

Manto de vísceras.

Colônias de órgãos.

Pesos do objeto do desejo...

São como formas que

jamais havíamos visto,

mas já conhecíamos

a muito tempo.

Estamos diante da

descoberta e do

reconhecimento atávico”

Paulo Herkenhoff

Caracas, 1996


“O trabalho de Eliane Duarte, produto de um imaginário extremamente singular, emerge e desloca-se no universo em trânsito característico da produção artística das duas últimas décadas. Tridimensional, mas não escultórica; atual e simultaneamente (trans) histórica, pois trabalha com materiais e métodos pré-modernos que no passado produziram objetos utilitários, à obra desta artista adensa-se na rarefação de significados verbais. Nutre-se do lençol do sentido bruto que, segundo Merleau Ponty, estará na origem da obra de arte e na potência ontológica do mundo sensível”




Fernando Cocchiarale

“...Pois como Baudelaire viu em Goya, também aqui “toutes ses


contorsions, ces faces bestiales, ces grimaces diaboliques sont

pénétrées d´humanité”

Paulo Venâncio Filho

Eliane Duarte





“O fantástico das esculturas de Eliane Duarte é ver as formas da razão mascadas e cuspidas como um chiclete na calçada”




Paulo Venâncio filho.
San Francisco


Biography of Kerry Laitala



Laitala grew up in the wilds of the Maine coast, while developing a chronic passion for old things. She attended Massachusetts College of Art studying Photography and Film and received her Masters degree from the San Francisco Art Institute in Film. She has been awarded the Princess Grace Award in 1996, and the Special Projects Grant from PGF in 2004 and 2007. Awards have also been received from the Black Maria Film Festival and Big Muddy Film Festival and the San Francisco International Film Festival as well as residency at the Academie Schloss Solitude near Stuttgart, Germany. Her penchant for medical imagery and artifacts of decay springs from occupations in medical and dental institutions where she works during the day when she is not teaching film classes at the San Francisco Art Institute. For every work she produces, she places her fingers on the pulse of the piece and allows it to grow organically without a script or prescribed plan. She prescribes to the concepts laid down by Germaine Dulac, maker of surrealist films in the 1920’s, that cinema should not be enslaved by narrative and theatre, and is interested in expansive forms of media production. Laitala is deeply invested in the process of working directly with the film medium basically is involved in all aspects of production: shooting, developing, editing and sound design as well as optical printing much of material to further re-work it into another form.



Laitala's second 35mm film entitled the "Muse of Cinema" has recently premiered at the 36th International Film Festival Rotterdam, has won the Director's Choice Award from the Black Maria Film and Video Festival, and the Best Bay Area Non Documentary Film Award from the 50th San Francisco International Film Festival. "Torchlight Tango", completed in 2005, is a film that lyrically demonstrates the hand- made film process and shows the maker at work on the first film in the Muse Series. Torchlight Tango has garnered awards at both the S. F. International Film Festival and the Black Maria Film Festival.



Projector performances include a piece entitled "Hocus Pocus… Abracadabra!!!" which won the Chris Holter Visionary Film Award from the 2007 Madcat Women's International Film Festival. Otherwise known as expanded cinema, this hybrid multiple projector work incorporates several different media including 16mm loops, 35mm slides and video with a stereo soundtrack. "Hocus Pocus… ABRACADABRA" is a true hybrid, performance piece: conceptually, anachronistically and technologically speaking. Intertwining live sleight of hand illusions and the magical evocation of past spirits, "Hocus Pocus…" highlights the intersection of these two types of spectral displays. Laitala was also invited to perform this piece at the Rubicon Estate's Centennial Museum's Gala opening in Napa Valley with Francis Ford Coppala in attendance.



She is currently in post production on the hand made, hand processed films entitled the "Muse of Cinema Series" with a flashlight in her studio. “Phantogram” is her most recently completed project and she is in the process of finishing “Spectrolgy” on 16mm film with an optical soundtrack. This film artist uses the “Muse Series” to directly address the audience by re-animating Magic Lantern slides from the early years of cinema, and incorporating them into a cinematic collage. Her work has been screened internationally and in the celestial ether which connects us with the music of the spheres.



Laitala was also chosen as a recipient of a GOLDIE- (Guardian Outstanding Local Discovery Award) -2007 from the San Francisco Bay Guardian

Sampler


SAMPLER
TESTE DO ESTILHAÇO


Genesis P Orridge

Personagem bizarríssima do cenário musical inglês (Throbbing Gristle; Psychic TV), Genesis P Orridge empurra o procedimento do "cut-up" até os abismos da prática Magicka (bom crowleyano e decadente que é) e TotAlquímica (transmutando seu próprio corpo em andrógino). O sampler, aqui tratado como "estilhaço" (termo muito mais virulento e de grande sugestão neuropolítica), é o instrumento por excelência para detonar estados de consciência alterados e a arma perfeita para a liber-ação.

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Pode-se dizer que samplear, jogar em loop e re-montar (tanto materiais encontrados como sons de lugares específicos selecionados pela precisão de relevância para as implicações da mensagem de uma peça de música ou uma exploração transmídia) é um fenômeno TotAlquímico e mesmo Magicko. Não importa quão curto ou aparentemente irreconhecível seja um sampler para a percepção de TEMPO linear; ele inevitavelmente irá conter dentro de si (e acessível por si) a soma total de absolutamente tudo que seu contexto original representava, comunicava ou tocava de qualquer forma. E, sobretudo, também deverá incluir implicitamente a soma total de todos os indivíduos ligados de qualquer forma à introdução e à construção no interior da cultura original (hospedeira), e qualquer cultura subsequente (mutada ou projetada e sob qualquer modo, meio e forma) estabelece contato com o "eterno" (nas zonas de tempo do passado, presente, futuro e quantum).

"Duas partículas quaisquer que tenham um dia estado em contato continuarão a agir como se elas estivessem informacionalmente conectadas, independente de sua separação no tempo e espaço" (Teorema de Bell)

Se arrancarmos um pedaço de um holograma e depois o espalharmos, per-c/ser-beremos que em cada fragmento (não importa se pequeno, grande ou irregular) é visível todo o holograma. Isto é um fenômeno incrivelmente significativo. Se pegarmos, por exemplo, um estilhaço de John Lennon, este estilhaço irá conter, dentro de si e de forma bastante real, tudo o que John Lennon tenha experienciado; tudo que John Lennon tenha dito, composto, escrito, desenhado, expressado; todos os que já o conheceram; a soma total de todas essas e quaisquer outras interações; todos aqueles que algum dia o ouviram ou leram ou o viram ou pensaram a seu respeito ou reagiram a John Lennon ou qualquer outra coisa remotamente conectada a ele; todas as combinações passadas, presentes e/ou futuras de parte ou de tudo acima escrito.

Toda essa informação enciclopédica - bem como a viagem pelo tempo a ela conectada pela memória e pela experiência prévia - segue esse "estilhaço" da memória, pelo que deveríamos estar bem conscientes de que ele carrega em si uma seqüência infinita de conexões e progressões pelo tempo e espaço - tão longe quanto se desejar. Agora podemos todos manter o poder de montar - via "estilhaços" - feixes de uma qualquer era. Tais feixes são, basicamente, lembranças (1). Na verdade, o que eles estão fazendo é contornar os usuais filtros da realidade consensual (já que esses últimos têm lugar numa forma aceitável como tv, filmes, músicas, palavras), bem como viajar diretamente para seções "a-históricas" de sua mente, detonando toda e qualquer reverberação consciente ou inconsciente relacionada com aquele estilhaço-hieróglifo.
DESSA FORMA TEMOS LIBERDADE INFINITA PARA ESCOLHER E MONTAR, E TUDO QUE MONTAMOS É UM RETRATO DO QUE CONHECEMOS OU DO QUE VISUALIZAMOS SER. O ESTILHAÇAMENTO FEITO COM HABILIDADE PODE GERAR MANIFESTAÇÃO: ESTE É O "TESTE DO ESTILHAÇO".
Escolhemos estilhaços, consciente e inconscientemente, para representar nossos próprios padrões miméticos (DNA), nossos próprios aspirações e marcas culturais; invocamos, num sentido verdadeiramente Magicko, manifestações, talvez até resultados, a fim de confundir e dar curto-circuito em nossas percepções e na segurança do todo.

Qualquer coisa, sob qualquer meio imaginável, de qualquer cultura, que esteja de algum jeito gravada, e que possa ser de qualquer forma tocada novamente, encontra-se acessível e infinitamente maleável e utilizável por qualquer artista. Tudo está disponível. Tudo é livre. Tudo é permitido. MONTAGEM é a linguagem invisível de nosso TEMPO. Escolhas infinitas da realidade são o presente do software para nossas crianças.

NOTA:

(1) Impossível traduzir o termo original, já que traz em seu interior outras palavras e idéias: RE ("fazer de novo", como em "remodelar"), MIND (mente), RE-MIND ("re-mentar" ou "refazer a mente") e REMIND ("relembrar"). Este é só um exemplo das idiossincrasias que percorrem todos seus textos ("thee" em vez de "the"; "ov" em vez de "of"; etc). Tudo muito ao gosto de um certo Genesis P Orridge ("porridge" = aveia; "origin" = origem). [Nota do Trad.]

Tuesday, June 1, 2010

Cinema Marginal


3 cinema sexo-explicito X cinema “marginal”


“A inocência perguntou a crueldade: ‘porque me persegues?’ e a crueldade respondeu: ‘e voce, porque não se opoe?”

O periodo sexo-explícito da “boca-do-lixo” durante a década de 80 permanece como o mais “Maldito”, “Tabu” e vergonha, mesmo para a maioria dos integrantres do cinema da “boca”. São filmes talvez mal vistos inclusive por parte de seus proprios autores. Quem saberá o que pesa no coração dos homens? Mas são filmes tão integros quanto qualquer outro, ou mais. Afinal, nos filmes de Mario Vaz e José Adauto, por exemplo, nota-se desde o primeiro “take”, que se trata de autores, não só carismáticos, mas muito bem preparados, “empurrados” talvez devido a crise de producão do cinema nacional para o cinema-pornô. Seriam tratados como as famigeradas “vítimas do Mercado”. Pessoalmente acho que lutaram com louvor e fizeram otimos filmes, coisa rara no cinema em qualquer período, em qualquer lugar e circunstancias. E construíram um discurso mais emotivamente humanos e integracionistas já saídos do cinema. E de qualquer forma assumiram os riscos e capitalizaram as suas necessidades com bom humor, afinco e sem a choradeira comum dos abastados.

Já em Sady Baby, ao contrário, seu trabalho não foi determinado pelas circunstancias mas por opção. Ninguém pode imaginar, por exemplo, Sady Baby lamentando não ter podido realizar um cinema tido como de genero “sério”. Talvez justamente porque tenha consciência de já tê-lo realmente cometido (ver A Conquista Psicologica do Mal, de HEINRICH ZIMMER, Editora Pallas Atenas). Além disso foi o unico cineasta no Brasil que fez Cinema sem sentir pena de si mesmo (status de ousadia e coragem).

De todo modo, é la é que está, contra todas as probabilidades, a verdadeira “Era de Ouro” do cinema marginal (sem aspas) nacional, e sua fase mais criativa. Tanto no sentido de um cinema de gramática clássica e bem realizado tripulado por Mario Vaz Filho e José Adauto Cardoso, ou como o cinema de verve essencial de Sady Baby. No mais, o “cinema de invenção”, alardeado pelo critico Jairo Ferreira, na imensa maioria das vezes, não conseguiu mais que imitar pateticamente Rogério Sganzerla. Esse conduziu com destreza um discurso que procurava se diferenciar do panfletário cinema-novo tanto quanto o esoterismo alienado dos hippies e embora se utilizando de linguagem e influências próprias, digo nacionais (Mojica/Candeias/chanchadas), teve as mesmas influencias do mesmo cinema-novo que combatia como a nouvellevaugue (Brecht), mais que o revisionismo de um cinema e moda da década de 40. Algo ao estilo dos ‘mods’ ingleses que usavam cabelo curto, terno e retrovisores em suas lambretas. A trilha sonora tanto no cinema underground daqui como no underground norte ameriano como Jack Smith, Geoge Kuchar, entre outros segue essa linha assim como também o mesmo tipo de gag, etc. Filmes que alias, na época, eram assistidos apenas pelos “belos e bem nascidos” cineastas “marginais” em veraneios ao exterior. No Brasil é sempre embaraçosa a tentativa de se dectar a forma nacional de movimentos e contradições de conteúdo internacionais. Este é um Pais onde elite minúscula, sem esforcos, consegue fabricar o proprio curriculo artistico e intelectual de maneira tão artificial quanto escandalosa. E ainda ha uma condescendencia“zinha” nefasta e desnecessaria com esses nossos filmes ruins. Sinal de atrazo e estupidez: o processo torna-se ‘autofágico’, devora a si mesmo, involui. E bons filmes e bons cineastas foram negligenciados nesse processo.

E de uma certa forma também, é natural que esse cinema chamado inicialmente "marginal" tenha aos poucos se diluido em outras formas, mais individuais inclusive, ao longo do tempo. O proprio rótulo ‘marginal” seria rejeitado mais tarde pela maioria dos cineastas desse grupo. E é preciso entender ainda que tudo sempre foi confuso e misturado. Sempre houve um grupo intelectualizado, afinado com um cinema experimental, na verdade inspirado mais no underground americano do tipo John Waters, utilizando a música como parte do texto, o mesmo tipo de “gag”, e um comercial e possivel, e a mistura dos dois é o que se batizou de cinema “marginal”. Mas essas divisões nunca foram muito claras. No filme “O galante rei da boca”, documentario de 2007, o depoimento de Trevisan não deixa dúvidas a respeito do que ele sente pelo cinema “desintelectualizado”, confundido muitas vezes com o mesmo que o dele e do grupo dele. Em 2006, o cineasta A.Tonacci, quando questionado a respeito da condicão dos cantores funk que se encontravam presos naquele momento, por cantarem suas músicas, esse disse que “se o ser humano for deixado pela sua propria natureza, viveriamos num caos”, defendendo assim a prisão dos compositores. Em 2008 Ivan Cardoso se entrega “Viva Jose Serra!”, uma elite que não tolera a democracia.

Cinema Morto



Cinema Morto “Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra. Mas qual é pedra que sustenta a ponte? - pergunta Kublai Kan. A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra - responde Marco - mas pela curva do arco que estas formam.

Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta: Por que falas das pedras? Só o arco me interessa.

Polo responde:

Sem pedras o arco não existe”


O idioma tonal e narrativo do cinema dos últimos tempos é tido como se fosse ‘natural’, e como se fosse ‘ir contra a natureza’ superar o que o tempo está bloqueando. O conteúdo desse resultado é o cinema familiar a todos e está tão distante do que hoje pesa no destino humano que a experiência pessoal do público já não tem nenhuma comunicação com a experiência testemunhada por esse tipo de cinema ‘tradicional’. Até porque toda a tradição é inventada. Porém, pelo visto, até mesmo os movimentos ‘revolucionários’ , dentro e fora do cinema, procuram basear sempre suas ‘inovações’ em referências ao ‘passado de um povo’, ou algum passado, etc. De certo ponto de vista, pode-se dizer que numerosas crenças que implicam a coincidentia oppositorum traem a nostalgia de um Paraíso perdido, a nostalgia de um estado paradoxal no qual os contrários coexistem sem confrontar-se e onde as multiplicidades compõem os aspectos de uma misteriosa Unidade. Afinal de contas, foi o desejo de recuperar essa Unidade perdida que obrigou o homem a conceber os opostos como aspectos complementares de uma realidade única. É a partir de tais experiências existenciais, desencadeadas pela necessidade de transcender os contrários, que se articularam as primeiras especulações teológicas, filosóficas e sentimentais. Antes de se tornarem conceitos filosóficos por excelência, o Um, a Unidade, a Totalidade constituíam nostalgias que se revelavam nos mitos e nas crenças e se enalteciam nos ritos e nas técnicas místicas.